Governo cancela nomeação de Dante Mantovani para chefia da Funarte

Governo cancela nomeação de Dante Mantovani para chefia da Funarte

No mesmo dia em que foi reconduzido para a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte), o maestro Dante Mantovani, um dos nomes mais controversos da gestão de Roberto Alvim na Secretaria Especial da Cultura, teve a nomeação anulada na noite desta terça-feira. Ele havia sido demitido pela secretária Regina Duarte em março, no mesmo dia em que ela foi empossada como secretária.


Enquanto a decisão era publicada, Mantovani estava ao telefone com a reportagem de O GLOBO, sem saber da anulação. Durante a entrevista, o maestro, que está em Brasília, relatou que estava preparando um relatório de seus 90 dias anteriores à frente da Funarte para tentar uma audiência com Jair Bolsonaro. Ele também comentou sobre planos de lançar um edital de emergência para socorrer artistas durante a pandemia de Covid-19, e disse estar pronto para retomar o diálogo com a secretária Regina Duarte. Mantovani reclamou da forma como a mídia deu destaque para o vídeo em que foi retirado o trecho com uma associação entre rock e satanismo, e que não teve chance de expôr sua versão para Regina Duarte.

- Não tive a oportunidade de explicar a ela que aquilo veio de uma aula online baseada em teorias de três livros acadêmicos, que pesquisam o uso ideólogico de várias vertentes musicais por grupos políticos - disse o maestro. - Sou do diálogo, sempre. Quero falar com ela da mesma forma que fiz quando estive à frente da Funarte, aberto a todos os grupos. Espero que ela também esteja aberta ao diálogo com todos, não só com a esquerda.
 

Portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União tornou sem efeito a nomeação de Mantovani. Os dois atos foram assinados pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. Regina Duarte não foi avisada da nomeação e ficou surpresa. Ao longo do dia, ela marcou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para esta quarta-feira.

Na agenda com o presidente, Regina Duarte pretende apresentar seu plano de comunicação para Cultura. A aliados, a secretária diz que pretendia aproveitar a conversa com “seu presidente”, “seu líder", como costuma chamar Bolsonaro, para entender “as razões dele” para nomear novamente Mantovani para a Funarte.

Interlocutores do Planalto associaram seu retorno a uma indicação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, e também a uma retomada de poder da ala ideológica, ligada a Olavo de Carvalho.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que Bolsonaro anda incomodado com algumas nomeações de Regina Duarte na Cultura. Porém, aliados do presidente afirmam que ele não estaria disposto a arcar com o desgaste da demissão da ex-atriz global neste momento, após as saídas de dois ministros populares do governo.